Porquê fotografar em RAW?

O que é o formato RAW?

O formato de imagem RAW é um ficheiro de arquivo digital que, aquando do disparo, armazenou em bruto toda a informação captada pelo sensor da câmara fotográfica. Dado que o ficheiro arquivo RAW (bruto) inclui muito mais informação luminosa do que um ficheiro processado e comprimido como o JPEG, o tamanho ocupado pelo RAW é múltiplas vezes (2 a 6x) superior ao JPEG. Para realizarmos uma pós-produção profissional (edição da fotografia), é necessário que o registo fotográfico tenha sido realizado no formato RAW. 

O uso de software profissional para processamento de ficheiros de formato RAW, como Adobe Camera Raw (parte do Adobe Photoshop, ACR), Adobe Lightroom, Luminar, Affinity Photo, Capture One Pro, DxO PhotoLab, Aperture utilizam e processam a informação gravada no ficheiro RAW para podermos regular com precisão diversos parâmetros gravados que definem a imagem capturada, tais como:

  • Espaço de cor
  • Exposição
  • Temperatura/ Balanço de brancos
  • Sombras (Shadows)
  • Brilhos (Highlights)
  • Realces
  • Nitidez
  • Contraste
  • Vibratilidade
  • Ajuste de ruído
  • Correção ótica (distorção, vinheta, aberração cromática, desvio de cor)
  • Matiz (Hue)
  • Saturação (Saturation)
  • Luminância (Luminance)


Observando-se a imagem, e compreendo-se as bases da fotografia digital, poderemos identificar quais parâmetros requerem o ajuste de modo a corrigir imperfeições da imagem. Em formatos de imagem comprimida, como o comum ficheiro JPEG, tais ajustes são impossíveis, ou caso sejam executados irão abranger áreas da imagem que não correspondem ao ajuste desejado. O resultado é incomparável.

O ficheiro RAW permitirá ainda que possa manter em sua posse um ficheiro bruto e original capaz de ser re-processado no futuro, seja para re-impressão seja para manipulação fotográfica ou para arquivo. 

O formato de imagem RAW padrão encontra-se estabelecido na ISO 12234-2, mais conhecido como TIFF / EP. (TIFF / EP também suporta imagens “não raw” ou “processadas”). O TIFF / EP fornece as bases para os formatos de imagem bruta (RAW) de vários fabricantes de câmeras fotográficas:

  • Canon – .CR2 (Canon Raw V2)
  • Nikon – .NEF
  • Adobe – .DNG (Digital Negative)
  • Hasselblad – .3FR
  • Olympus – .ORF
  • Pentax – .PEF
  • Sony – .ARW, .SRF, .SR2
  • Panasonic – .RW2


Imagem RAW

Imagem processada a partir do RAW

No exemplo acima, depois de fotografar em RAW, o ficheiro foi importado no software profissional, processado e depois de concluída a pós-produção (ajuste dos parâmetros), a foto foi exportada para o cliente no formato comprimido JPEG de alta resolução. Além da correção da exposição, também os parâmetros de sombras, realces, e tonalidades sofreram significativos ajustes resultando nas melhorias visíveis.

Se não possui nenhum software de processamento de imagem profissional, como os identifcados acima, poderá também abrir estes ficheiros nativamente nos sistemas operativos macOs X ou Windows. Ambos os sistemas operativos, nas versões mais recentes, suportam ficheiros RAW de múltiplos fabricantes: Canon, Casio, Epson, Fujifilm, Kodak, Konica Minolta, Leica, Nikon, Olympus, Panasonic, Pentax, Samsung, and Sony. Embora sejam visualizados, a sua manipulação requer software profissional. Uma nota: temos visto também que, na atualização dos novos modelos de equipamento fotográfico, por vezes os ficheiros RAW gerados ainda não estão suportados nos sistemas operativos ou mesmo nos softwares profissionais. Nestes casos é necessário estar atento às atualizações de software tanto na Apple como Microsoft bem como pelos provedores de software profissional. De referir também que muitos dispositivos móveis, como iOS (iPhone) e Android já suportam captura e leitura de ficheiros RAW. Nas câmeras fotográficas, o formato de imagem RAW geralmente está disponível apenas nos modelos mais avançados, com sensor APS-C ou Fullframe (DSLR ou Mirrorless). É conveniente confirmar nas características técnicas do equipamento antes da compra.

Que software de processamento de imagem profissional escolher?

Se deseja abrir, processar, editar e arquivar as suas fotografias em formato RAW em software profissional, recomendaria o Luminar 3 da Skylum. O Luminar 3 além da soberba performance de software tanto em ambiente macOS como Windows (ver requisitos), é muito intuitivo para o utilizador, está extensamente documentado (em Inglês) em texto e video, vem já com diversos filtros pré-definidos e tem um preço baixo. O software custa €70 e poderá testá-lo durante 30 dias sem compromisso. 


As outras opções mencionadas acima, como o Adobe Lightroom da Adobe ou o Capture One Pro da PhaseOne, são significativamente mais caros. Geralmente adquiridos na modalidade de subscrição. Acontece que nesta área também quando o profissional se afeiçoa numa determinada ferramenta de software, torna-se mais difícil a mudança e por esse motivo, as soluções mais antigas, embora mais caras continuam em uso. Como nestes software se lida com coleções (arquivos de imagem), enormes (vários Terabytes), qualquer transição tem de ser muito bem analisada previamente.

Presets, LUTs e Looks

São estes os nomes (Presets, LUTs e Looks) mais comuns para quem deseja artilhar o seu software de processamento de imagem. Vulgarmente designados de filtros. Com este formato de ficheiro de imagem RAW torna-se possível aplicar os famosos filtros fotográficos / perfis de cor (LUTs) que irão, em princípio, gerar imagens mais interessantes, rapidamente, justamente por aplicarem automaticamente ajustes nestes parâmetros, revelando-se um equilíbrio de cores, sombras e brilhos, ou efeitos tipo HDR mais interessantes na foto final. Geralmente os filtros ou perfis de cor comercializados são otimizados para um tipo de fotografia, (ou até para uma câmara fotográfica) como paisagem, retrato, ou edifícios. Por isso poderão não resultar lindamente em todas as fotos. Muitos fotógrafos profissionais tendem a desenvolver os seus filtros, de forma a demarcarem a sua técnica e o seu estilo também na pós-produção de imagem.

Em qualquer serviço prestado por Ricardo Moura Photography poderá optar pela inclusão dos ficheiros RAW no Pack de serviços escolhido.

Gerenciamento de cor, espaço de cor, exportação e impressão

O dilema das cores é um assunto em constante debate entre profissionais de imagem. Da captura fotográfica, ao processamento do ficheiro no Software, à visualização no dispositivo, à exportação para o cliente até à impressão fotográfica; cada uma destas etapas requer a compreensão deste tema de forma a aproveitarmos a capacidade da tecnologia do momento e evitar desvios na cor da imagem editada. Cada dispositivo opera num espaço de cores específico, e que descreve uma gama de cores que este poderá gravar, armazenar, editar ou produzir. Atualmente, nenhum dispositivo de fluxo de trabalho fotográfico digital consegue reproduzir toda a gama de cores visíveis ao olho humano. Alguns espaços de cores são maiores do que outros. Por exemplo, o espaço de cores CIE Lab é muito vasto; já o espaço sRGB, usado por vários navegadores da Web e dispositivos, é relativamente pequeno; o espaço de cor ProPhoto RGB é dos maiores e apropriado para dispositivos de captura de fotografia; o espaço AdobeRGB 1998, mais vasto que o sRGB, requer dispositivos e software capaz de reproduzir uma gama de cores mais vasta que o comum sRGB. Cada dispositivo descreve a cor de maneira cumulativa, usando o modelo de cores RGB, ou subtrativa, com o modelo de cores CMYK. As câmeras e monitores usam RGB; as impressoras usam o CMYK. (Se experimentar enviar uma imagem CMYK por e-mail vai notar alterações drásticas na cor.)

Para simplificar os factos, numa câmara profissional é usado o espaço de cor ProPhoto RGB (ficando armazenado no ficheiro RAW), o mesmo usado na importação para o Software Adobe Lightroom, sendo que a visualização no ecrã ocorrerá nesta gama e na gama Adobe RGB 1998 – ver gerenciamento de cores da Adobe; para a exportação do ficheiro, ao definir a extensão do ficheiro pretendido (JPG, TIFF, DNG, etc) o utilizador poderá escolher qual o espaço de cor a incluir no ficheiro. O mais comum nos dispositivos eletrónicos é o sRGB, e é portanto o recomendado. Outros perfis poderão resultar em alteração de cores entre diferentes dispositivos. 

Da Captura ao Ecrã até à Impressora, há necessidade de um sistema de gerenciamento de cores de forma a manter tudo uniforme. Existem sistemas de gerenciamento de cores que usam perfis para reconciliar as diferenças de cores entre dispositivos de modo a que possa ser feita uma previsão confiável da cor que será vista ao partilhar ou imprimir as fotos. O Lightroom Classic simplifica o gerenciamento de cores exibindo as cores em espaços de cores que são independentes do dispositivo. Isso significa que antes de trabalhar no Lightroom Classic basta garantir que possuímos o monitor calibrado.

Como nos dias de hoje não conseguimos tecnologicamente imprimir todas as cores capturadas no sensor da câmara, ao capturar um ficheiro RAW num espaço de cor como ProPhoto RGB, poderemos mais tarde voltar a processar esse ficheiro, e caso a tecnologia venha a permitir imprimir toda essa gama de cores, será possível então obter uma imagem ainda melhor.

Using Format